
Quentura
Quentura, que nem sempre rima com o amor do bobo,
é essa coisa que dura e rima mesmo com calor e fogo.
Se a letra não dá, paciência,
pois ela é a essência do lado de cá.
E para a essência não basta a rima.
A coisa é fina: para a essência, tem que esquentar.
Mas se achegue, com rima, sem rima, na rede,
e aproveita que esse quente não é imortal.
Se aconchegue, menina, na sede,
que esse bem nunca fez mal
(tem uma coisinha ou outra, mas deixa).
Quem chega gosta, quem não chega se queixa.
Se não puder um beijo na boca,
se não puder essa saudade louca,
se não puder muitas dessas coisas poucas,
o vapor do torpor da vida simplesmente nos deixa.
Iana Carolina e Yuri Brito, brincando de poesia em dupla.